jan 27
100% mestre
Isso é Core,Música | ComentePor Leandro Vignoli
Lemmy Kilimister tem 66 anos e é um sujeito “49% motherfucker e 51% son of a bitch”. Esse é o nada singelo subtítulo do documentário “Lemmy”, lançado ano passado e indispensável. Sem qualquer estética definida, o filme parece um caminhão desgovernado, exatamente como parece a vida do vocalista do Motörhead, e é isso que funciona. Está ali toda a surrealidade do cara, a coleção de artigos da Segunda Guerra, a “relação” bizarra com o filho quarentão, um inacreditável vício em jogos caça-níqueis e a sua casa num porão. Um outsider no senso mais direto do termo.
A enorme lista de entrevistados mostra o quanto da influência do Motörhead e de Lemmy há na música de modo geral, sem rótulos, com nomes tão díspares como Ozzy Osbourne, Marky Ramone e até o skatista Geoff Rowley. Para Dave Grohl, “foda-se Keith Richards e esses rockstars que vivem do sucesso de 40 anos atrás, passam a vida comendo supermodelos em hotéis supercaros. Lemmy quer apenas tomar seu Jack Daniels e compor mais um disco”.
O documentário é nessa pilha, divertido, leve e rápido como se fosse Ace of Spades no rádio, mas também é denso, de como raios um cara com a importância dele vive em condições tão primárias e desapegadas do sucesso. Não é um filme qualquer, é um filme de um cara 49% motherfucker, 49% son of a bitch e 100% mestre.








