nov 30
VICIOUS
M.Core | ComentePor Leandro Vignoli
Tem vícios para todos os gostos nessa vida, e a maioria está longe de ser vinculado a drogas e excessos. Um simples hobby em colecionar coisas, dependendo de prisma, obsessão e intensidade, pode igualmente levar a pessoa a terrenos sombrios. Mais ou menos esse caminho é a chave para entender Requiem para um Sonho na essência, filme baseado no livro igualmente foda do escritor Hubert Selby Jr. (se você nunca leu, mesmo tendo assistido ao filme, é quase uma obrigação).
O roteiro gira em torno de quatro pessoas, cada uma envolta ao seu próprio vício, seja em heroína de dois carinhas que resolvem ganhar a vida traficando, seja em remédios para emagrecer da senhora acreditando que vai participar de um programa de TV. O fim não é bonito, mas o roteiro nunca percorre o caminho fácil do “politicamente correto”, não deixa em nenhum momento estampado em neon o aviso de que se você usar drogas (ilegais ou não) você vai se ferrar.
O que temos jogado na tela é o seu critério e entendimento para aquilo. Sejamos obviamente inteligentes pra sacar que consumir heroína não vai levar alguém ao paraíso, mas não é com uma fé às cegas em alguma religião, por exemplo, que se está livre de todo o mal. Existem vícios do mal (que levam você em cana e talvez à morte) e vícios do “bem” (os aceitáveis na sociedade): Réquiem Para um Sonho permite deixá-los em pé de igualdade, e o resultado é chocante e brilhante.














