Posts em ‘M.Core’

nov 30

VICIOUS

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Por Leandro Vignoli

Tem vícios para todos os gostos nessa vida, e a maioria está longe de ser vinculado a drogas e excessos. Um simples hobby em colecionar coisas, dependendo de prisma, obsessão e intensidade, pode igualmente levar a pessoa a terrenos sombrios. Mais ou menos esse caminho é a chave para entender Requiem para um Sonho na essência, filme baseado no livro igualmente foda do escritor Hubert Selby Jr. (se você nunca leu, mesmo tendo assistido ao filme, é quase uma obrigação).

O roteiro gira em torno de quatro pessoas, cada uma envolta ao seu próprio vício, seja em heroína de dois carinhas que resolvem ganhar a vida traficando, seja em remédios para emagrecer da senhora acreditando que vai participar de um programa de TV. O fim não é bonito, mas o roteiro nunca percorre o caminho fácil do “politicamente correto”, não deixa em nenhum momento estampado em neon o aviso de que se você usar drogas (ilegais ou não) você vai se ferrar.

O que temos jogado na tela é o seu critério e entendimento para aquilo. Sejamos obviamente inteligentes pra sacar que consumir heroína não vai levar alguém ao paraíso, mas não é com uma fé às cegas em alguma religião, por exemplo, que se está livre de todo o mal. Existem vícios do mal (que levam você em cana e talvez à morte) e vícios do “bem” (os aceitáveis na sociedade): Réquiem Para um Sonho permite deixá-los em pé de igualdade, e o resultado é chocante e brilhante.

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nov 18

OPEN MIND

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Por Leandro Vignoli

Judgement Night é um filme qualquer nota dos anos 90, com Emilio Estevez e Cuba Gooding, Jr., em que um grupo de amigos vê um assassinato e passa a ser perseguido por uma gangue. Porém, mais que o clima de gato e rato do roteiro, o filme marca uma das trilhas sonoras mais fodas já lançadas.

Cada performance do disco é um featuring entre artistas de rock/indie e hip hop, uma mistura que, se não era inovadora (lembremos de duas ações promovidas pelo produtor Rick Rubin alguns anos antes, do Aerosmith com o Run DMC e o Beastie Boys usando riffs do guitarrista do Slayer), ao menos consolidou um gênero. A partir dali, o chamado “rap metal” ganhou força total, e a trilha de Judgement Night ganhou as paradas da Billboard.

Lembro até hoje de ouvir a música de abertura do filme, o balanço ritmado do De La Soul com linhas vocais melódicas do Teenage Fanclub e pensar “mas que porra é essa?“. Alguns dias depois, a MTV executava a exaustão o vídeo do Faith No More com o Boo Ya Tribe, uma porradaria metal sobre vocal falado, e Onyx com o Biohazard, uma base do mais puro rap old school entupida de guitarras hardcore, e o “que porra é essa?” só aumentava.

Num tempo em que a informação demorava pra chegar, foi difícil sacar que tudo aquilo fazia parte de um mesmo disco, de um conceito expelindo credibilidade nas ruas. Para um headbanger, era único ver o Slayer fazendo um medley de músicas do Exploited com os vocais de Ice-T, e o contrário, para um rapper, era totalmente novidade ver uma banda como Cypress Hill deixar de lado os scratches para usar distorções de Sonic Youth e Pearl Jam. Judgement Night, mais que um disco, foi um antológico abridor de mentes.

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out 26

Os primeiros 25 anos da Def Jam

M.Core,MCD | Comente

Rick Rubbin e Russell Simmons formavam uma dupla estranha, mas que se complementava: adoravam fazer barulho, cada um à sua maneira. Juntos, construíram uma companhia que fez o hip hop tornar-se maior e mais barulhento do que qualquer pessoa em sã consciência acharia possível (não que algum dos dois fosse uma pessoa sã).

São palavras parecidas com essas que abrem o livro Def Jam Recordings: The First 25 Years of the Last Great Record Label. A obra é uma homenagem à gravadora norte-americana Def Jam, que revolucionou a música nos anos 80 e 90.

Simmons e Rubbin comemorando o 25º aniversário da Def Jam

A Def Jam começou em 1984, num quarto da Universidade de Nova York, e tornou-se um dos maiores selos de rap do mundo. Segundo Rubin, um dos fundadores, a inexperiência e inocência que tinham na época permitiu que fizessem uma música além das normas aceitas: “enthusiasm drove us”. Com esse entusiasmo, colocaram o hip hop no mainstream sem precisar fazer com que o gênero abandonasse suas raízes.

Responsável pelo lançamento de vários artistas, como Beastie Boys, LL Cool J, Run-DMC, Snoop Dog, Ludacris, Rihanna, Ashanti e Kanye West, a Def Jam completou 25 anos em 2009 e foi presenteada com o livro, que reúne inúmeros relatos de artistas e produtores que presenciaram a história da gravadora. Ele foi lançado recentemente nos Estados Unidos e ainda está sem previsão de chegada ao Brasil. Enquanto isso, rola ter uma prévia da versão em inglês, ou relembrar alguns dos clássicos lançados pelo selo.

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out 21

PSICOTICAMENTE DOCE

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Por Leandro Vignoli

Pra quem curte uma guitarra distorcida no talo, a boa nova é que o Jesus and Mary Chain acaba de relançar todos os álbuns de estúdio. Além das canções originais, os discos virão com faixas extras, lados B, canções ao vivo e livretos com entrevistas.

Chance extra pra sangrar as orelhas com Psychocandy, a estreia da banda em 1985, um absoluto clássico inovador num jeito de fazer música – ou no jeito de fazer barulho. Pra se ter ideia, um dos folclores é que ao ser lançado no Brasil, muita gente voltava às lojas pra trocar o LP achando que estava estragado, de tanto ruído branco, agudo e atonal.

Numa combinação despretensiosa de pós-punk, Velvet Underground, surf e música pop dos anos 60, Psychocandy realizou ao seu próprio modo – e sem querer – a “parede de som” imaginada por Phil Spector com os Beatles. Embaixo da psicopatia, sempre uma melodia doce. Acima de todo romantismo, uma ironia propagada em pedais de guitarra. O resultado foi um disco único, jamais repetido. Nem pela própria banda.

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out 18

Rock’n Roll Broken Heart(s)

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Por: Roberta Cajado

Sua possível última chance de ver um dos casais mais importantes do rock pode ser no SWU, dia 14 de novembro. Pois é, Kim Gordon e Thurston Moore, do Sonic Youth, deram fim ao casamento de quase 30 anos. A Matador Records (gravadora da banda) anunciou que o ex-casal cumpriria sua turnê na América Latina em novembro, mas que, depois disso, nada mais era certo.

A icônica banda foi formada em 1981, em Nova York, e passeou pelo mainstream sem se prostituir, voltando às suas raízes independentes. Donos de um som cheio de improvisos e experimentos, eles são um dos mestres do ruído e das guitarras distorcidas.

Dizem que no final de um show que eles fizeram no Brooklyn (NY) em agosto, Moore deixou a multidão dizendo “anything is possible through the power of love.” (Tudo é possível pelo poder do amor).

Então, vale a pena se animar pra vê-los em solo brasileiro e torcer por um revival. Enquanto isso, vá se preparando para o SWU.

Kool Thing

Teenage Riot

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