Posts em ‘Quem faz’

fev 02

Montgomery Earnest Thomas Kaluhiokalani, ou simplesmente Buttons

Isso é Core,Quem faz | Comente

Por Fabiano Tissot

Filho de pai negro e mãe havaiana, o apelido foi dado pela avó, que insistia que seu cabelo parecia com pequenos botões presos à cabeça.
As cenas são do filme “Many Classic Moments”, com o havaiano de Honolulu na sua melhor forma.

Na companhia de caras como Larry Burtlemann, Buttons foi um dos ícones do surf da década de 70, inspirando gerações pelo mundo. Entre eles, os próprios Z-Boys da Califórnia.

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dez 27

No alto da montanha

Comportamento,Quem faz | Comente

Por Leandro Vignoli

O filme Inca foi um dos grandes vencedores do Histórias Curtas, uma tradicional premiação de curtas-metragens gaúchos. A história narra a tentativa de um jovem em conseguir lugar pra dormir nos confins do Peru, em meio às montanhas de Ollantaytambo. Um lugar totalmente fora do óbvio das trips nas cordilheiras e em Machu Picchu.

Para conferir o curta-metragem, dê uma conferida neste link: http://bit.ly/ps37yw

Abaixo, segue uma conversa com Jorge Henrique dos Santos, diretor de produção de Inca.

Como encontraram essas cidades onde se passa o filme?
A ideia original do Bruno Carvalho, o diretor, era fazer numa “cidade” chamada Santa Teresa, baseado numa pesquisa bem superficial dele. Se procurar no Google, vai ver que o lugar é ridículo de pequeno e não tem meios de chegar lá. Entramos em contato com nossos “guias” do Peru, que nos mostraram alguns lugares, e decidimos entre as opções lá mesmo.

E que tal as cidades? Qual a principal diferença em relação a Cusco?
Cusco tem noite, turistada, cachaça etc. Ollantaytambo não tem nada e Maras (onde foi a locação da festa) tem menos ainda. A diferença é que Ollantaytambo é passagem obrigatória pra quem vai pra Machu Picchu de trem. Então, há bastantes hostels e turistas, mas nenhuma vida noturna.

Mas ouvi dizer que rola um mountain bike bem doido nas ruínas.
Em Maras, há grupos que fazem mountain pra ir pra Moray, um sítio de ruínas próximo. É bem comum ver bicicleta de turista por lá, algo que eles chamam de “Inca trail”. Em Ollantaytambo, há os aventureiros que se tocam a subir as ruínas que não ficam dentro do parque. Tem diversas modalidades de pacote pra chegar em Machu Picchu.

E o que tem de curioso no local?
Tem um lance massa comum nessas cidadezinhas, que são as “chicherias”. Chicha é um trago de milho feito em casa. Em frente das casas com uma vara alta espetada na frente com um saco plástico vermelho na outra ponta, você pode entrar. Botam isso como sinal de que tem chicha pra vender. Entrar numa chicheria dessas é uma aventura e tanto também.

E como foi achar as pessoas pra participarem do filme? Ninguém ali é ator, certo?
Não, só o Eduardo Cardoso, que foi com a gente. Através dos contatos, a gente chegou numa mulher cujo trabalho é conhecer a cidade inteira. Ela nos levou numa estradinha onde encontramos um caminhão cheio de gente na caçamba. Gostamos e mandamos ver. Teve bastante trabalho de ensaio, mas em geral, não repetimos exaustivamente a mesma cena. O “pai” é professor, a menina tem 15 anos e só estuda e a “vó” é realmente a avó dela e cuida da casa e de um mercadinho. O “pai” é tio da menina.

E qual foi a parte mais difícil de filmar num lugar tão ermo?
Teve a parte mais difícil da vida: as cenas da festa, depois de anoitecer. Nessa região, o tempo é seco. Isso quer dizer calor de dia e frio de noite, a 3 mil metros de altitude, na mais completa escuridão, uns 5 graus e vento que nunca vi nem parecido. O vento atrapalhava o som, fodia a fogueira e, consequentemente, a luz. Vale como experiência.

Uma dica final pra quem for fazer essa trip?
A cerveja é só fora do gelo, sempre. Nunca mais reclamo de ceva quente na vida. E come-se muito bem e barato, especialmente frango. Almoçava por três soles (uns 2 reais e pouco).

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dez 07

HOMEM PARASITA

Quem faz | Comente

Por Leandro Vignoli

Gabriel Renner é um sujeito peculiar de visão bem própria das coisas do mundo. Ficou conhecido pelo seu trabalho em quadrinhos com as clássicas tiras Fadas Ltda, e hoje é ilustrador de Zero Hora, o principal jornal do Rio Grande do Sul, onde transita na linguagem formal para o underground com naturalidade ímpar. Entre outros trabalhos, está a capa do DVD do Ratos de Porão e a ilustra da coluna Testosterona, da Sexy. Confira abaixo uma entrevista com o cara. E se você não conhecia, cai dentro.

Como é lidar com essa diferença entre ilustração pra veículo e seu trampo autoral, mais underground?
 
O trampo de ilustrador paga minhas contas. O de artista alimenta meu ego. Inventei o Estúdio Pinel, onde faço minhas tranqueiras autorais. O primeiro portfólio bacana que fiz não coloquei nenhum trabalho que eu já tivesse publicado. Montei uma pasta só com os desenhos mais malucos, geralmente, desenhos feitos por hobby, descompromissadamente. Pensei que, se fosse pra dar certo, que fosse com algo que fosse sincero e natural. Levei pra algumas editoras e recebi alguns convites pra freelas. E isso começou a mover as engrenagens do meu esquema, a ponto de conseguir definir meu estilo para o “mercado” de maneira mais uniforme e segura, sem me afastar do trabalho underground.


Qual o método na ZH? Você desenha em cima dos textos ou apenas recebe um briefing do assunto?
Em jornal, tem um campo de atuação de ilustração muito grande. Um mesmo ilustrador pode terminar uma caricatura e partir pra um trabalho de reconstituição de crime. Chega um texto sobre como executar uma manobra de Heinrich pro leitor salvar um engasgado e, depois, outro texto de algum colunista. Ambos têm liberdade artística, mas obviamente que no primeiro caso, exige uma linguagem de informação. Então, o desenho tem que sair mais acadêmico, tem que ter esse jogo de cintura, escolher com que calibre atirar.
 

Como surgiu o trabalho na Revista Sexy? Aposto que muita gente compra a revista só pra ver seus desenhos. (Rá!)
 
O lance da Sexy foi muito bacana, porque mandei um fanzine pra um cara que, coincidentemente, era redator chefe. A Sexy estava passando por um processo de renovação editorial, e me convidaram pra ilustrar a coluna mensal Testosterona, que ia estrear junto com as novas mudanças. O legal disso é que foi um caso onde o trabalho de artista abriu espaço pro trabalho profissional, e quando ocorre desta forma, já se entra com liberdade criativa total. Ninguém baixa meu desenho da internet quando pirateiam as fotos sensuais, mas já me disseram que compraram a revista pra guardar minha ilustração. Fantástico!



E aquele trampo com quadrinhos, a história das fadas. Ainda continua escrevendo? 
 
Publiquei um tempo, as Fadas Ltda nos jornais do Grupo Sinos e, depois, no Diário Gaúcho, onde foram interrompidas. Com isso, tenho feito as tiras com menos frequência, postado algumas no meu site, mas de forma geral, faço e guardo pra lançar em algum lugar fora da internet, que ainda não sei onde. As coisas andam muito voláteis, acontecem de uma hora pra outra, os sites e blogs já não valem mais nada, o Facebook domina a divulgação, ao mesmo tempo em que acho a rede social meio sem identidade… Hoje, posto um  desenho no meu site, no Blogspot, no Flicker e no Facebook, mas ainda parece que falta alguma coisa. Tô tentando entender um processo ideal, mas antes mesmo de perceber isso, já vou estar atrasado de novo. Nesse meio tempo, tenho produzido pra mim mesmo. Então, montei uns fanzines que já estão pra virar algo concreto, depois de organizar. A revista Edição de Fim de Mundo é uma delas.

Que tipo de coisa surge como argumento para as histórias? E os traços, quais as maiores referências?
O cotidiano urbano é a maior referência, tanto em traço, como nos roteiros. A convivência entre as pessoas numa sociedade saturada e domesticada inspira boa pate dos argumentos e dos textos que tenho usado. As tiras do Homem Parasita refletem bastante sobre reações e instintos do ser humano embutido nessa rotina. Me mantenho lendo muita coisa, mas no desenho, não consigo alterar minhas referências principais, que são os velhos desenhos animados da Warner e as tiras do Laerte.

 


 
Várias ilustrações são com a temática do rock, e você fez a capa do DVD do RDP. Como foi esse trampo?
 
A capa do Ratos foi um trabalho que gostei muito de fazer, e tinha uma grande responsabilidade, porque cresci ouvindo a banda e tem muita coisa do Ratos que o Marcatti desenhou. Então, foi uma honra ter recebido o convite. A Blackvomit, que estava montando o documentário, queria mostrar o filme de uma forma diferente e me convidou baseado nessa linha de coisas meio underground que vinha fazendo. Esse lance ajudou a caracterizar o ambiente roquenrol em que já vinha trabalhando e abriu horizontes que me ajudaram a estabecer, de forma mais definitiva, uma identidade pública do meu trampo.

E os projetos futuros?
Agora, montei um site (gabrielrenner.com), onde tô tentando organizar melhor meu trabalho de ilustrador e, até o fim de outubro, vou postar no estudiopinel.com, uma revista online chamada Edição de Fim de Mundo, do Homem Parasita, em função da aproximação de 2012. Passem Lá!

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out 31

SANGUE, SUOR E PATINS

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Por Leandro Vignoli

Alguns anos atrás, teve esse filme, Whip it!, a estreia da atriz Drew Barrymore na direção. A coisa toda girava em torno do Roller Derby, modalidade esportiva bem desconhecida aqui pelo Brasil, e Ellen Page interpretava uma jogadora. Trailerzinho aí.

Então, chegamos em Danielle Cruz e as Ladies Of Hell Town, a primeira liga brasileira de Roller Derby. Com treinos duas vezes por semana, em São Paulo, surgem as velhas dificuldades de um esporte alternativo: a procura por patrocínio ou apoio com equipamento, quadra, qualquer tipo de coisa que possa impulsionar o esporte no país. Ela nos explica exatamente qual é a do Roller Derby.

Quem joga: o bom do Roller Derby é que é muito democrático, não importa se você é gordinha, magrinha, alta, baixa. Você sempre vai arrumar uma posição em que possa usar seu tipo físico a seu favor. Na nossa liga, tem várias meninas superdiferentes umas das outras e também de níveis diferentes. Nossos treinadores, jogadoras e também as jogadoras que estão de molho ajudam as iniciantes, que chamamos de fresh meats.

Como funciona: são dois times jogando numa pista oval e cada time tem cinco jogadoras por ‘jam’, o tempo de jogo que pode durar até 2 minutos. Cada bout tem várias jams. As cinco jogadoras são divididas em 4 bloqueadoras e 1 jammer. A função das bloqueadoras é bloquear a jammer do time anterior. A função da jammer é marcar pontos. Ela marca um ponto a cada vez que consegue ultrapassar uma bloqueadora.

Esse vídeo explica melhor:

Mais infos no blog da Ladies of Hell Town, e do Roller Derby Brasil.

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out 03

Daniel Corrêa

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Menino prodígio, daqueles termos clichês que servem pra descrever um sujeito bastante novo que já fez uma porção de coisas legais nessa vida. E é exatamente como serve pra descrever Daniel Corrêa, 21 anos, residente no Rio de Janeiro. Na carteira de trabalho, a gravadora Deck Disc, mais especificamente o selo Vigilante, um dos poucos no país que ainda lança coisas de boa qualidade, nacional e da gringa. Mas, Daniel, mais que um empregado que bate o cartão, é um ultramidiático workaholic, que além da música, trampa com literatura, cinema e o que pintar. Ele, certamente, é alguém que faz.

O que você faz exatamente no Vigilante?
Rapaz, tentei explicar isso pra minha avó esses dias e foi um drama. Eu sou uma espécie de personal nerd-hipster. Minha função é procurar modos diferentes de divulgar um artista – principalmente na internet, respeitando o estilo e a obra de cada um.

Mas esse lance de gravadora não é muito old school, serve pra alguma coisa ainda?
Serve sim. Tem uma infinidade de músicas e bandas, e não tem como saber nem por onde começar a procurar. Principalmente lá na gringa, selos como o 4AD, SubPop ou Merge têm quase um selinho de qualidade. Você sabe que o que eles falarem que é legal, vale a pena pelo menos conhecer. A gravadora-antiga, linha de produção já acabou, é anacrônico. Agora uma gravadora tem que ter conceito e bom gosto.

A Vigilante lança no Brasil algumas bandas gringas, bem alternativas. Qual objetivo?
Investir em sons que a gente curte, acredita e achamos que pode ter uma saída por aqui. Alguns lançamentos nos surpreenderam, como o Toro y Moi, e só provou que hoje não tem mais essa parada de som diferente. Se você conseguir fazer as pessoas darem uma chance ao novo, vai agradar.

Que banda do cast você acha que é uma nova bola dentro pro pessoal conhecer?
Bem, Class Actress e The Chain Gang of 1974 dos gringos, e daqui da terra acho que o The Baggios merece uma atenção especial. Puta blues rock bom (:

Pessoalmente, você também trampa com bandas. Que parada é essa?
Tem o lado produtor tipo manager e o cara de estúdio. Estou cuidando do Cícero, um grande amigo que fez um belíssimo disco e que não só acredito como é talvez a coisa que mais ouvi nos últimos anos. E estou na jornada para lançar com uns caras talentosos daqui um selo de música eletrônica chamado Penetra Records. Fiquem de olho (haha). E como produtor mesmo, estou em estúdio com uma banda chamada Noras de Newton, que tá fazendo algo que me lembra muito o indie do final dos anos 80, meio Pixies, Sonic Youth, tudo misturado com um Warpaint endiabrado. São meninas supertalentosas, aposto sério nelas. Em breve, deve rolar um teaser do trabalho, que vai se chamar “Superfície”.

Produz, faz o manager. E tocar, não rola?
Estou trabalhando no meu projeto musical, sim, algo que vai ser meio Dark Night of the Soul, com muitos vocalistas.

Além disso, tem esse livro lançado, Tristes Camelos. Dá uma ideia do que se trata?
É um romance que se passa após um fim de relacionamento, sobre quanto mais você tenta esquecer, mais você lembra. Foi levemente inspirado no modo memorialista do “The Virgin Suicides”, o livro. E em Cortázar. É um livro muito direto, interno. É engraçado vê-lo sendo vendido em livrarias. Já é meu terceiro livro, mas nunca vou me acostumar com isso.

Música, literatura, alguma coisinha de cinema também?
(Hehe) Eu estudo cinema também e fiz um documentário chamado “Feito na Amizade”, sobre amigos de aluguel (isso mesmo), que estará disponível em breve no Vimeo mais próximo de você.

Publicado por: Leandro Vignoli

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