
Desde a tarde de ontem, as redes sociais borbulhavam compartilhamentos e comentários com opiniões sobre a obra O Estrangeiro, d’Osgemeos, que foi apagada de um prédio no Anhangabaú, em São Paulo. O fato ocorreu da noite para o dia, sem nenhuma explicação.
Milhares de suposições depois, a Secretaria Municipal de Cultura fez um pronunciamento no site da prefeitura de São Paulo, dizendo que foram os próprios artistas que solicitaram que a obra fosse apagada, já que o prédio seria demolido.
Osgemeos, então, se manifestaram. Segundo eles, O Estrangeiro nasceu em 2009, como parte das ações do ano da França no Brasil, numa parceria deles com SESC, Prefeitura de São Paulo e Plasticien Volant. Desde então, de fato eles sabiam que, um dia, ela desapareceria em consequência da demolição do edifício.
“Estamos fora do Brasil e recebemos hoje a notícia sobre a obra apagada no Vale do Anhangabaú”, declararam. “É realmente triste ver que o “Estrangeiro” se foi… Mas, pelo amor que temos por São Paulo e pela arte, estamos pensando em uma nova obra permanente para a cidade. Agradecemos o carinho expressado pelas mensagens que recebemos.”
O público aceitou, mas não sem lamentar. Afinal, obras como O Estrangeiro acabam transformando a cidade numa grande galeria de arte a céu aberto, mais divertida, menos cinza.
Por outro lado, o jornalista da Editora Abril, Mario Mendes, publicou um post polêmico em seu Facebook. Diz ele:
“Não vou chorar o desaparecimento do grafite dos Gêmeos. Grafite é arte efêmera, para se misturar com a paisagem urbana, sofrer interferências, enfrentar intempéries e, eventualmente, desaparecer no processo. Não é a Capela Sistina. Do caos veio e ao caos voltará.”
Então, fica a dúvida: arte urbana é patrimônio público ou uma efemeridade que pode ser apagada a qualquer momento? Que você pensa a respeito?