Por Roberta Cajado
Em tempos de globalização e massificação das identidades, é difícil achar algo que realmente seja autêntico, no sentido de conceito, referências e valores. A arte contemporânea cresce a cada passo que damos, inclusive no espaço urbano, e diversas vezes, quando vemos uma obra, nos confundimos com sua autoria. Algum detalhe estético acaba sempre lembrando outro detalhe que, por sua vez, veio de outra autoria, que se parece com outro possível artista.
Isso acontece, é lógico, por conta da informação global, que é a mesma para quase todos, mas também pela falta de raízes, memória e identidade que cada indivíduo constitui ao longo da vida artística. É sempre mais fácil produzir em cima de uma informação pronta, mas ainda existem aqueles que se empenham em contar sua história, desvendar seus próprios mistérios e mergulhar em sua cultura local.
Fundada em 1873, Winnipeg significa, na linguagem indígena Cree, “águas barrentas”, e é uma cidades que abriga artistas que inspiram-se no localismo e não deixam para trás sua história. É a capital de uma província chamada Manitoba, situada no meio das savanas canadenses entre Vancouver e Toronto. A cidade, de 700 mil habitantes, ainda conta com a maior população aborígene do Canadá e é um grande centro de transporte de mercadorias de agricultura.
Em setembro, a Maison Rouge, em Paris, dedicou uma exposição que foi palco das mais diversas mídias e expressões artísticas da pequena grande cidade, repleta de pinturas, esculturas e outros suportes carregados com a influência local deste lugar, que parece ainda permanecer avesso e não influenciado pelas tendências globalizadas de uma “modinha” passageira.
Todas as imagens divulgadas aqui pertencem ao blog da exposição. Portanto, se quiser se aprofundar no assunto, vale a pena gastar uns minutinhos por lá.
Aqui, cito alguns dos meus preferidos:
Adrian Williams


Marcel Dzama


Neil Farber


Sarah Anne Johnson

